Pecuaria

Colostragem de bezerros: como transformar as primeiras horas em sobrevivência e produtividade

Aprenda a organizar a colostragem, monitorar os recém-nascidos e reduzir riscos de doenças e mortalidade na fazenda.

Colostragem de bezerros: como transformar as primeiras horas em sobrevivência e produtividade

Uma rotina bem definida nas primeiras horas de vida ajuda a proteger os bezerros e reduzir perdas na fazenda.

Por que a colostragem exige tanta atenção

O bezerro nasce com baixa proteção imunológica e depende do colostro para receber anticorpos, energia e nutrientes essenciais. Por isso, a qualidade do manejo nas primeiras horas de vida influencia diretamente a sobrevivência, a ocorrência de doenças e o desempenho futuro do animal.

Quando a colostragem falha, aumentam os riscos de diarreia, infecções, baixo ganho de peso e mortalidade. Além do impacto sanitário, essas perdas comprometem o resultado econômico da fazenda, pois reduzem o retorno sobre o investimento feito na reprodução, na nutrição das matrizes e na formação do rebanho.

Como organizar o manejo do colostro

Uma referência prática para a equipe é a regra 2-4-6:

  • Até 2 horas: realizar a primeira mamada, sempre que possível.
  • Cerca de 4 litros: fornecer um volume equivalente a aproximadamente 10% do peso vivo, ajustando a recomendação ao porte do animal e à orientação técnica.
  • Até 6 horas: garantir que o volume total planejado tenha sido ingerido dentro dessa janela.

O bezerro pode mamar diretamente na vaca, mas a equipe deve observar se a sucção é vigorosa e se o consumo foi suficiente. Em animais fracos, em partos difíceis ou quando há dúvida sobre a ingestão, a administração com mamadeira pode ser necessária.

O uso de sonda esofágica deve ficar restrito a pessoas treinadas. Uma aplicação incorreta pode causar complicações graves, por isso o procedimento precisa seguir orientação veterinária e um protocolo definido para a propriedade.

Qualidade do colostro também precisa ser medida

Não basta oferecer colostro rapidamente: é importante verificar sua qualidade e as condições de armazenamento. O refratômetro pode ser utilizado para medir o grau Brix e ajudar a selecionar o colostro com maior concentração de imunoglobulinas.

Como referência de campo, valores de 25% Brix ou mais são geralmente associados a colostro de boa qualidade. A equipe também deve evitar fornecer material contaminado, armazenado de forma inadequada ou mantido por tempo excessivo fora de condições apropriadas.

A fazenda pode manter um banco de colostro identificado por data, origem e qualidade medida. Essa reserva ajuda a atender bezerros que não conseguem mamar adequadamente ou quando a matriz produz pouco colostro.

Atenção especial aos partos noturnos e difíceis

Um dos principais gargalos da colostragem é a falta de acompanhamento dos partos durante a noite. Se o nascimento não for identificado, a janela ideal de fornecimento pode ser perdida antes do início do expediente.

Para reduzir esse risco, a gestão da maternidade deve definir:

  • escala ou plantão para acompanhamento dos partos;
  • local de registro do horário de nascimento;
  • identificação da matriz e do bezerro;
  • responsável pela primeira avaliação e pela oferta do colostro;
  • protocolo para partos distócicos e animais debilitados;
  • materiais disponíveis, como mamadeira, colostro reserva, refratômetro e itens de higiene.

Partos difíceis exigem atenção adicional. O esforço e a falta de oxigenação podem deixar o recém-nascido fraco, com menor capacidade de buscar o teto. Nesses casos, a intervenção deve ser rápida e realizada por colaboradores capacitados.

Cuidados que complementam a colostragem

Depois do nascimento, secar o bezerro, mantê-lo aquecido e acomodá-lo em uma cama limpa e seca são medidas simples, mas importantes. A hipotermia consome energia que deveria ser direcionada à recuperação e à absorção dos nutrientes.

Também vale observar sinais como:

  • reflexo de sucção ativo;
  • tentativa de levantar nas primeiras horas;
  • disposição para mamar;
  • presença de diarreia;
  • temperatura corporal e comportamento;
  • aspecto geral e hidratação.

Essas observações não substituem a avaliação de um médico-veterinário, mas ajudam a identificar rapidamente animais que precisam de intervenção.

Gestão: transforme o protocolo em rotina mensurável

A colostragem não deve depender apenas da experiência individual de um funcionário. O ideal é transformar o processo em uma rotina padronizada, com treinamento, materiais disponíveis e registros simples.

Alguns indicadores úteis para acompanhar são:

  • percentual de bezerros que receberam a primeira oferta no prazo;
  • volume fornecido por animal;
  • qualidade do colostro medida no refratômetro;
  • taxa de diarreia e outras doenças no bezerreiro;
  • mortalidade até o desmame;
  • ocorrência de partos sem assistência;
  • desempenho dos bezerros por lote.

Com esses dados, o produtor consegue identificar se o problema está na detecção do parto, na disponibilidade de colostro, na execução do protocolo ou na estrutura da maternidade. Essa visão facilita a tomada de decisão e direciona investimentos para os pontos que realmente limitam o resultado.

Tecnologia a favor do controle da maternidade

Em propriedades com muitos animais, registros organizados ajudam a reduzir esquecimentos e melhorar a comunicação entre turnos. O acompanhamento digital de nascimentos, tratamentos, pesagens e ocorrências permite consultar o histórico de cada bezerro e comparar os resultados ao longo do tempo.

Mais do que registrar informações, o objetivo é usar os dados para agir antes que as perdas aumentem. Quando a gestão identifica, por exemplo, maior mortalidade em partos noturnos ou em determinado lote de matrizes, pode revisar a escala de trabalho, o manejo nutricional ou o protocolo sanitário.

Uma colostragem eficiente começa antes do nascimento: depende de planejamento, equipe treinada e acompanhamento dos indicadores. Ao padronizar as primeiras horas de vida, a fazenda protege o rebanho e melhora a eficiência do sistema de cria.


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